terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um poderoso remédio para a endometriose e o combate à candidíase






29 de novembro de 2011


Semelhantemente a muitas mulheres com endometriose, eu sofri com a candidíase. Provocada por fungos, a candidíase está relacionada com corrimento branco espesso e coceira intensa na região genital. É uma micose que provoca infecção. A dor durante as relações sexuais também é sintoma comum. A doença é chata, causa desconforto e, frequentemente, está associada à endometriose (Veja artigos acadêmicos que relatam essa associação. Artigo 1, Artigo 2, Artigo 3).

Há muitas causas da candidíase. A mulher que usa antibióticos, anticoncepcionais ou corticóides está mais susceptível. Tudo aquilo que enfraquece o sistema imunológico predispõe o organismo à candidíase. Os médicos receitam antimicóticos para combatê-la. Mas em muitos casos, a infecção volta.Mesmo modificando minha alimentação e estilo de vida, a candidíase persistia, com período de melhoras e recaídas. Vi muitas indicações de banhos de assento, entre outros tratamentos. Embora sejam eficientes, nem sempre sobra tempo – e às vezes falta paciência – para fazer os banhos (mas ainda pretendo fazê-los, pois há constatações científicas de que melhoram a saúde da mulher). Então, finalmente encontrei uma resposta poderosa para a candidíase – o alho.

A partir de toda mudança que fiz para superar a endometriose (Veja aqui), passei a usar alho diariamente. Com o uso diário desse pequeno remédio, a candidíase se foi. Nada de coceiras intensas, nada de corrimentos. Que alívio! Como podem ver nos textos que indiquei, minha alimentação e meus hábitos mudaram bastante também. Um exemplo: não como açúcar, um forte desencadeador da infecção. Diminuí o consumo de massas, outro desencadeador da infecção. Portanto, alho sozinho talvez ajude, mas pode não resolver totalmente. 

Recentemente, comprei iogurte orgânico (uma delícia!). Não deu outra. Depois de alguns dias, a candidíase voltou, mesmo usando o alho. Parei com o iogurte. Depois de uma semana, o corrimento e a coceira sumiram. Sim, alho é um antimicótico poderoso, mas parece que é preciso mudar a alimentação ou, pelo menos, não usar alimentos que desencadeiam a micose, entre eles laticínios, açúcar e excesso de massas.

Na semana passada, folheei um livro de Sônia Hirsch sobre saúde da mulher, Só para mulheres. Ainda não tenho livros de sua autoria, mas pretendo adquiri-los. Conheço pouco do seu trabalho, mas o que li me surpreendeu positivamente. Li rapidamente sobre candidíase. Ela diz que alho é o remédio mais poderoso. Eu acredito, por experiência própria. Mas o alho não serve apenas para combater candidíase ou substituir antibióticos. O alho é também um poderoso remédio contra a endometriose. Fiz descobertas interessantes nesse sentido.

Recentemente, os resultados de meus exames de sangue apontaram uma leve diminuição de plaquetas e um aumento de imunoglobulina E (IgE). O aumento de IgE pode estar ligado a diversos fatores, entre eles alergias. O médico concluiu que não era nada preocupante. Mas eu nunca havia tido alterações como essas. Como coincidiu com o uso diário de alho, me interessei por pesquisar mais. 

Encontrei algumas informações bem interessantes:

1. O alho reduz a quantidade de trombina no sangue, responsável pela coagulação. Há uma alteração nas plaquetas.2. O IgE alto indica também uma diminuição de trombinas. De acordo com uma pesquisa publicada pela Scientific American, o IgE alto pode ser positivo, evitando, entre outras coisas, paradas cardíacas fulminantes. Com uma quantidade menor de trombina, a atividade de coagulação do sangue diminui. Por isso, a chance de uma parada cardíaca é menor (Veja a notícia).

Mas o que isso tem a ver com endometriose? Teria a trombina alguma relação com a endometriose também, já que a doença está relacionada ao sangue e a processos de coagulação? Fiz uma pesquisa em inglês que sempre fornece resultados muito interessantes. Encontrei um artigo acadêmico da Universidade de Tókio, no Japão. Veja o que os pesquisadores afirmam:Estas conclusões implicam que o sistema de trombina pode estar envolvido na fisiopatologia da endometriose, estimulando a resposta inflamatória de células de endometriose e sua atividade mitogênica. (These findings imply that the thrombin system might be involved in the pathophysiology of endometriosis, stimulating inflammatory responses of endometriotic cells and their mitogenic activity (Veja o artigo).Os autores afirmam que a endometriose está relacionada à inflamação. Essa inflamação, por sua vez, faz crescer os focos de endometriose e provoca muita dor. Os pesquisadores queriam saber se a trombina contribui com o aumento da endometriose, já que a trombina tem uma ação inflamatória, além de seu papel na coagulação sanguínea. Além disso, a trombina está naturalmente ligada à multiplicação das células do endométrio. Por isso tudo, pareceu aos pesquisadores que ela poderia estar relacionada à endometriose. Realmente, faz muito sentido. Para comprovar a suspeita, foram analisados tecidos de endometriose retirados de mulheres com a doença. Eles analisaram pedaços de endometriomas – os cistos de endometriose no ovário. 

Ao estudar atentamente a química da endometriose relacionada aos processos inflamatórios, concluíram, por meio de procedimentos analíticos, que a trombina está relacionada, sim, com o avanço da endometriose.É uma pesquisa complexa que nos aponta para uma solução simples – o alho. Sim, o alho diminui a concentração de trombina. Meus exames apontaram isso. Sim, o efeito é imediato. O que comemos interfere direta e rapidamente na saúde. Com o uso do alho, em menos de um mês, meus níveis de trombina diminuíram. Os exames demonstram, o corpo avisa. 

Portanto, ao diminuir a quantidade de trombina, o alho combate a inflamação, diminui a endometriose, reduz o inchaço abdominal e consiste num remédio poderoso contra a dor. O alho também é indicado para a endometriose porque reduz os níveis de açúcar no sangue. Outro grande resultado desse remédio natural. Desde que passei a fazer uso do alho, como aponto acima, o inchaço abdominal diminuiu muito.Com todos esses benefícios, o odor do alho é apenas um detalhe quase insignificante. No combate eficaz à endometriose, o aroma-alho é perfume curativo.

PS.: 1. Atenção: Quem vai se submeter a uma cirurgia deve suspender o uso do alho 15 dias antes. Ao diminuir a trombina, o alho também interfere no processo de coagulação.2. Os Riscos: De acordo com a American Academy of Family Physicians, os efeitos colaterais do alho são geralmente ligeiros e incomuns. Mas algumas pessoas podem desenvolver erupções alérgicas ou bolhas com o uso tópico (Fonte).3. No domingo passado, li num blog no New York Times um texto sobre pesquisas científicas que comprovam os benefícios do alho, inclusive para candidíase. O uso de alho para tratar fungos no pé se mostrou 100% eficiente, enquanto o remédio mais indicado para essa moléstia (lamisil) tem uma eficácia de 90%. A receita é simples: alho amassado com azeite aplicado diretamente nas lesões. Há outras dicas no artigo. Veja aqui.5. Escrevi outro texto sobre os benefícios do alho: Mais poderoso que o Zoladex? Mais eficiente que o Mirena? 
6. Site que indico sobre o tratamento natural da candidíase: 
http://candidiaseapraga.blogspot.com/ 
7. A coceira nas partes íntimas provocada pela candidíase pode desencadear lesões brancas perigosas. Para aliviar a coceira e também combater os fungos, passe o “gel” da folha de aloe vera ou babosa (sua parte interna) nas partes íntimas. A planta aloe arborescens tem um gel mais claro e mais fluído. Ideal.8. Nos cinco gráficos que apresentam a classificação dos efeitos de certos alimentos contra vários cânceres específicos (cólon, cérebro, pulmão, próstata e mama), o médico David Servan-Schreiber coloca o alho como o alimento mais poderoso e eficaz, numa lista de mais de 30 alimentos, entre eles, a cebola e o aspargo (Ver em Servan-Schreiber, David. Anticâncer. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.).

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A terra prometida

14 de novembro de 2011

Queremos ter uma terra. Um lugar em que não existam fumaças escuras nem poluição química que se movimenta no ar sem que ninguém se dê conta. Esse desejo tem a ver com minha infância vivida ao lado da roça. Minha casa era a última da cidadezinha. Nosso quintal se multiplicava infinitamente com a terra e mata a perder de vista, onde eu corria junto com um cão fila de pêlos cor de castanha que nunca soube morder ninguém – um cão de guarda desmoralizado, guardador de crianças, que adorava brincar de cabo de guerra. Com mandíbula boba, o cão podia até ameaçar atacar um desconhecido, mas jamais o feria. Um cão próprio para os ares pacíficos daqueles tempos. Vivíamos em paz. Ninguém perdia a vida ou sofria nas mãos dos maus. Sob o olhar do meu pai, pulávamos com o cão na mata, ouvindo aqui e ali um chocalho que diziam ser de cobra. Mas nunca vimos uma nos domínios do campo, embora meu pai, à época um sócio-gerente de empresa, tenha chegado a encontrar uma falsa coral no terraço de casa nos domínios do urbano. Mantendo-nos a distância, ele brincou com aquele filhote deslizante, tirou fotos e liberou a pequena em sua casa, no mundo ao lado. Havia sábados em que meus pais montavam a cesta de piquenique e seguíamos caminho de terra a dentro, ao lado de minas brotando pela terra pálida e fértil, povoada por pés de café e nichos generosos de mata intacta. Meus pais não moram mais naquela casa situada em uma das pontas da cidade, que oferecia o melhor da vida urbana no campo – a extensão verde e selvagem da minha infância nutrida por muitos dias de céu azul ou de chuva suave. A natureza era calma. Depois de tantos anos, aquela cidade enriquecida engoliu o campo. Só na memória não há cimentos nem fábricas. A necessidade de superação da endometriose trouxe de volta a imagem da criança com seu cão e a natureza. Imagem que por tanto tempo mantive quieta. Ao ler sobre a importância de uma vida desacelerada, sobre o valor da água e do ar puro, sobre o alimento cultivado de maneira a respeitar a terra, lembrei-me dos tempos idos. Saí de lá para ganhar o mundo. Morei em vários lugares, estudei em universidades, conheci meu marido e cheguei a esta cidade, com suas oportunidades e sentenças. Foi aqui que conheci a dor da endometriose. Precisamos voltar no tempo, parar o tempo. Encontrar um lugar onde os minutos não avançam o sinal da sanidade. Queremos ter uma terra. Conhecemos toda a área rural da região onde moramos. Nenhuma semelhança com minha antiga casa metade-cidade-campo. Toda vez que estávamos prestes a fazer um negócio, encantados pela oferta de vida bucólica, descobríamos as vilezas do lugar – chocalhos reais da violência que avança. Contaminação ambiental, assaltos, crimes, insegurança, brutalidades alimentadas pelo tráfico e uso de drogas. O crack se espalha por este país. Depois de muitas tentativas e desfechos frustrantes, pensamos em ir para um condomínio com terrenos mais amplos que preservassem um pouco da natureza. O marketing habitacional é hábil em identificar nosso DNA ancestral edênico ao nomear esses feudos de “Colinas...”, “Jardim...”, “Estrelas...” Meu sonho de infância pareceu reviver quando encontramos um condomínio no centro da cidade vizinha. Estar dentro da cidade e, ao mesmo tempo, no “campo”, com segurança, nos pareceu a solução perfeita. Mas como perfeição não existe, o condomínio está rodeado de antenas, tem como vizinho um cemitério centenário (que pode contaminar o lençol freático) e uma delegacia de polícia superlotada que fere a decência humana. No entanto, comparativamente ao que tínhamos visto, o lugar ainda parecia excelente pela beleza e aparente segurança – não havia registro de assalto ali, enquanto outros condomínios são alvos da invasão de bandidos armados. Pessoas compram chácaras e casas em condomínios sem saber que esses lugares têm se tornado muito perigosos, mesmo nas regiões mais interioranas e nos estados mais ricos do país. Fomos à delegacia para ver os boletins de ocorrência do local e acessamos dados da Secretaria de Segurança Pública. O lugar era realmente seguro. Mas antes de fechar negócio, fomos à prefeitura, conversamos com o engenheiro, fomos ao cartório e falamos com moradores. Decepção – os terrenos têm escritura, mas por um erro na documentação da empresa que construiu o condomínio, as casas não podem ser averbadas. Um funcionário público, sem saber disso, comprou o terreno, contratou uma construtora e adiantou os valores. Por causa dessa irregularidade, o fundo de garantia (FGTS) não pode ser liberado. A fim de pagar a construtora, vendeu sua casa por qualquer preço e entrou em dívidas. Agora, não consegue vender a casa construída, pois não pode ser financiada. Diante da situação, desesperou-se e acabou sofrendo um sério problema cardíaco. Levado pela promessa de uma vida de paz, pela aparência do lugar e pelos moradores ilustres, ele perdeu de vista informações essenciais. Há sonhos que cegam e cerram a vida. Mas sempre é possível se reconstruir. A despeito de nossos erros e acertos, somos a habitação mais importante. Depois desse quase-negócio, pausa. Estávamos cansados, embora gratos a Deus por não termos feito a escolha errada. Mas após algum tempo, retomamos a busca. Meu marido me levou para conhecer um condomínio que havia encontrado pela internet, ao lado de montanhas, distante 80 km de nossa casa. Com água de mina e paisagem de tirar o fôlego, a região também apresenta índices baixos de violência. Ao visitar o lugar, avistei chácaras mais distantes, entre montanhas. Fomos até lá após percorrer uma estrada de terra solta, apinhada de pedras pelas encostas. Encontramos um sítio de 22 mil metros, com nascente de água, um rio pequeno correndo entre a mata preservada – visão deslumbrante. Para saber a verdade do lugar é preciso conversar com muitas pessoas. No conjunto dessas falas, você se aproxima da realidade. Há muita gente que omite ou falsifica informações para não desvalorizar seu chão. Mas ainda há os que falam o que precisa ser falado. Foi uma experiência antropológica, uma reportagem extensa tendo como cenário aquele verde hipnotizante que a todo momento parecia me implorar majestosamente: compre de olhos vidrados... Resistindo ao ímpeto, continuamos a checar os fatos. A verdade não vem fácil, é uma conquista – precisamos desejar encontrá-la. Conversei com um técnico da Casa de Agricultura, o responsável pela Sabesp, uma geóloga com mestrado e doutorado em agronomia que dedica a sua vida a recuperar terras inférteis (a terra desse sítio é arenosa), um químico que analisa a toxicidade e potabilidade da água (embora a água seja de mina, pode estar naturalmente com excesso de fluoreto – um risco para a saúde), um geólogo, moradores... Além de tomar ciência da química da terra e da água, conhecemos pessoas maravilhosas. O mais reservado de todos nos convidou para ir até sua casa e nos ofereceu um copo de água. Após nos verem pela primeira vez, dois moradores nos acompanharam no reconhecimento da área. Um senhor de 70 anos e o marido de uma secretária aposentada de São Bernardo nos guiaram entre a mata preservada. Uma pequena floresta de cambarás verde água floridos compõe o pelotão de frente. Chegamos às minas de água e ao riozinho correndo entre pedras lisas e esverdeadas. Nenhuma cobra, poucos insetos e muitas folhas de árvores gigantescas a obstruir a visão do céu com sua copa desgrenhada. Os cipós se lançavam em apoio aos passos vacilantes. A raiz de uma grande árvore segurava a encosta solidificada, enquanto o senhor de 70 anos, que mora ali há dez, media a profundidade da piscina de rocha esculpida ao acaso e, ao mesmo tempo, dizia com generosidade surpreendente: “não comprem a metade do meu terreno que eu havia oferecido a vocês, comprem aqui. Esse lugar é incrível.” O último sítio, da última rua, sem saída. Nesse lugar último, encontramos nosso chão – a terra se fez nossa ao menos naqueles instantes. Fizemos a proposta de compra. Estamos esperando um retorno. No início, fiquei muito ansiosa. Mas agora, estou em paz. Entreguei nas mãos de Deus. Se for para o bem, tudo dará certo. Se não, o rio correrá em outra direção. “Por isso, quando a vida se desentende com o destino e descarrila em desgoverno no rumo do imprevisto, eu penso: talvez seja uma boa coisa... e eu acabe em lugares mais interessantes”, afirma a escritora-jornalista-literata... repórter Eliane Brum, no texto “A vida dos mortos”, que me emocionou profundamente (Veja aqui). No lugar de beleza rara, sonho em reunir mulheres que passam pelo que passei para contar, em meio à criação de Deus, como tenho superado a endometriose – um percurso de trilhas, diálogos, dificuldades, descobertas, ciências, preces e gratidão. Quem sabe ali, naquela terra arenosa candidata à fertilidade, eu conte a um filho (que, talvez, eu possa gerar ou que talvez eu receba de quem o gerou) o que Deus fez por ele. A promessa da terra prometida é para todas nós. PS.: Neste fim de semana, estive com meus pais. Sábado, eu e meu marido fotografamos a chácara onde eles moram e lugares da cidade onde nasci. Abaixo estão algumas fotos que meu marido fez. Para encontrar a cura, o caminho e a paz, leia sobre A importância da insistência Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais: Um caminho, entre tantos Gramáticas da nossa vida

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Da endometriose ao câncer: a consciência do risco e o risco do desconhecimento




27 de outubro de 2011


Não sei seu nome, nem detalhes de sua história. Transformada em relato médico, eles a identificam como a “Paciente do sexo feminino com 45 anos de idade”. Uma mulher portadora de endometriose profunda, que era mãe de dois filhos e sofria com um histórico de dismenorreia intensa (cólica menstrual).

De acordo com os médicos pesquisadores, ela foi internada no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) após sentir dores abdominais durante duas semanas sem melhoras com o uso de analgésicos (Veja a pesquisa acadêmica com esse relato
). Por meio do ultrassom transvaginal, constataram aumento do volume do útero (190 cm3). O CA-125, marcador tumoral também utilizado para compor o diagnóstico de endometriose, estava alto: superior a 200 U/mL. A hipótese diagnóstica foi adenomiose/endometriose pélvica. Os médicos a submeteram a uma histerectomia (retirada do útero) “para tratamento da dismenorreia”. O exame laboratorial não identificou endometriose no útero.

Após a cirurgia, voltou para casa. Mas retornou várias vezes ao hospital para ser atendida no Pronto Socorro. Estava emagrecendo. As dores abdominais não cessaram. Por meio de uma ressonância magnética do abdômen, encontraram uma massa de 6,0 x 5,0 x 3,0 cm no peritônio (uma membrana que envolve a camada abdominal). Era endometriose. Os médicos optaram por uma ooforectomia bilateral terapêutica. Foram retirados os dois ovários.

Sem útero e sem os ovários, era de se esperar, ao menos, o fim da dor. Mas as dores continuaram, acompanhadas de náuseas e vômitos. Havia mais focos de endometriose. Por meio do ultrassom, identificaram uma “massa cística”, próxima à aorta, ao tronco celíaco e aos vasos mesentéricos. A aorta é a artéria mais importante do sistema circulatório. O cisto encontrado estava no abdômen, próximo à aorta abdominal (aorta descendente). Ela foi subtemida a uma laparotomia. Retiraram parte do tumor. O exame revelou cisto “endometriótico com hemorragia”.

Um ano se passou. Ela foi submetida a uma nova tomografia computadorizada que revelou uma “lesão residual retroperitoneal”. Esse cisto no peritônio foi investigado por meio de uma punção. Os médicos acreditavam que era endometriose, mas não excluíram a possibilidade de outro diagnóstico, conforme relatam: “porém devido à presença de muita necrose no material, não se excluía a possibilidade de neoplasia epitelial bem diferenciada.” A neoplasia é um crescimento desordenado da célula que pode ser maligna ou benigna. Pelo que o paper relata, a paciente foi mantida sob tratamento para controle da dor. Mais um ano se passou até um novo exame. Vejam o relato:

Mantida sob tratamento clínico com controle parcial da dor e das náuseas. Exame de controle por RM [Ressonância Magnética], após um ano, mostrou aumento das dimensões da massa retroperitoneal, descrita como lesão expansiva complexa (...).
Desde a abordagem cirúrgica da massa no peritônico, quatro anos se passaram. Em meio a operações e remédios, ela emagreceu mais, a dor piorou. Até que foi encontrado um tumor de 15 cm em seu abdômen. Vejam o relato:

Após 4 anos da primeira abordagem cirúrgica da massa retroperitoneal, a paciente apresentava-se emagrecida (I.M.C. = 17) com piora da dor, apresentando náuseas, vômitos e inapetência. O exame físico evidenciou massa endurecida, em topografia de
epigástrio, aderida a planos profundos.

Os médicos fizeram uma tentativa de retirar o tumor. Na cirurgia, cortaram parte do estômago, do baço, do pâncreas. Devido às características do tumor, não puderam extraí-lo. Após 45 dias, essa mulher morreu, por choque séptico. Na autópsia, constataram o câncer: “adenocarcinoma caracterizado pela proliferação neoplásica de padrão glandular predominantemente endometrióide.” Para os médicos, a endometriose se transformara em câncer.

Essa história foi relatada em um trabalho acadêmico repleto de termos técnicos, aceito para publicação no dia 30 de maio deste ano. Apesar de sua objetividade científica, há muito sofrimento nesse relato. Escrevi este texto sob uma tensão crescente, tentando descrever os sintomas, os achados, os exames, os resultados, as idas e vindas dessa mulher, o olhar médico e sua interpretação. A mulher que não conheci sofreu muito. Viveu o calvário. Por que ler isso? Por que trazer à tona essa história? Por que escrever sobre dor extrema? Se precisamos de força, a encontraremos nesse desfecho? Ainda que seja incomparavelmente mais difícil saber dessa história do que conhecer histórias de dor marcadas pela superação, ainda sim, prefiro conhecer todas as implicações possíveis dessa doença, para não subestimá-la, para dizer: não a subestimem.

Há tempos, li um artigo na BBC sobre o risco da endometriose se transformar em câncer (Veja). O artigo afirma que muitas mulheres poderiam não querer ouvir sobre isso. Quem deseja ouvir o pior? Mary Lou Ballweg, da Endometriosis Association, disse: “Há um perigo de médicos sentirem que as mulheres não querem saber sobre o risco de câncer. Mas o que é pior, sentir um pouco de medo e estar atenta para os sintomas ou morrer?” “As mulheres precisam procurar um especialista para garantir que elas estão recebendo a melhor ajuda possível”, afirma Ballweg. De acordo com a médica Joanna Owens, diretora do Cancer Research UK's: “pesquisas [...] sugerem que a endometriose pode aumentar o risco de câncer e são necessários mais estudos para explicar essa conexão. Nosso conselho para todas as mulheres é que conheçam seu corpo, contatem o seu médico imediatamente se detectar quaisquer mudanças e participem de triagem, quando convidadas.” (Veja
)

Ao descrever o caso em um paper, enviado para publicação na revista Autopsy and Case Reports
, da USP, os médicos pesquisadores mantêm uma linha investigativa central: a relação entre câncer e endometriose, com enfoque nas discussões sobre diagnóstico. “Estudos têm documentado a progressão da endometriose, como doença benigna, para o câncer”, afirmam os autores. Eles enumeram algumas questões centrais, com base na análise de outras pesquisas: 1. O mecanismo de transformação da endometriose para o câncer ainda é desconhecido; 2. Não existe um método unificado para o diagnóstico da transformação da endometriose em câncer. Nos trabalhos publicados esse método é variado; 3. A taxa de incidência de câncer de ovário é nove vezes maior em mulheres com endometrioma. Em mulheres acima dos 50 anos, é 13 vezes maior; 4. Muitas mulheres que desenvolveram câncer a partir de focos de endometriose fora do ovário estavam na menopausa e faziam reposição hormonal; 5. As neoplasias de ovário relacionadas à endometriose parecem apresentar um prognóstico mais favorável, com melhores taxas de sobrevida.

Quero destacar mais duas conclusões dos autores (Veja
):

1. Por sua vez, a Ressonância Magnética (RM) é o método de imagem mais usado para
avaliação da endometriose pélvica profunda, podendo ter sensibilidade superior a 90% na capacidade de predição de lesões malignas.Nesses casos, as imagens sugestivas de acometimento neoplásico são a presença de massa unilateral cística com focos de hemorragia e nódulos murais com realce ao contraste.

2. A transformação carcinomatosa da endometriose é evento relativamente raro, pouco compreendido e de ainda difícil diagnóstico pelos métodos atuais. Não há até o momento orientação para seguimento ou rastreamento da transformação maligna nos focos de endometriose.

Quando li esse paper, me fiz várias perguntas. Primeiro, a qual tratamento medicamentoso essa mulher foi submetida? Já que retiraram o útero e os ovários, provavelmente ela não estava utilizando remédios para conter o avanço da endometriose. Mas seguia um tratamento medicamentoso, conforme relatam. Qual? Justamente devido às cirurgias, será que não estava fazendo reposição hormonal? Os médicos não dão informações sobre o tratamento farmacológico. Apenas mencionam o aumento de casos de câncer, a partir da endometriose, em situações em que a mulher faz reposição hormonal, embora não especifiquem o tipo de reposição.

Além disso, de acordo com os médicos a Ressonância Magnética é o melhor exame para diagnosticar a transformação de endometriose profunda em câncer. Nunca fiz ressonância. Nunca encontrei um médico que quisesse pedi-la. Provavelmente, os planos de saúde os induzem a isso. Mas, com esse paper em mãos, vou pedir que meu médico requisite o exame. Fica claro que a associação entre câncer e endometriose não é bem conhecida. Embora tais casos sejam raros – apenas uma pequena porcentagem de mulheres com endometriose desenvolve câncer –, precisamos estar atentas aos sinais, principalmente se nos enquadramos nos grupos de riscos citados: endometriose profunda, endometriose intestinal (meu médico faz pesquisas nessa área. Disse que o risco de malignização é muito maior no intestino do que no ovário), reposição hormonal, mulheres na menopausa ou acima dos 50 anos, obesidade, emagrecimento sem outra causa.

Esse artigo discute métodos diagnósticos. Parece importante para que a ciência avance. Mas a discussão central deve ser: como prevenir? Como impedir que a endometriose se transforme em câncer? Como evitar o medo e, ao mesmo tempo, tomar atitudes que nos protejam, nos fortaleçam (pois o medo apenas nos enfraquece)? Discutir as causas dessa transformação da doença é importante. Se as pesquisas médicas estão dizendo que reposição hormonal aumenta os riscos, devo fazê-la? O que mais aumentaria os riscos? No artigo publicado na BBC, a médica Anna-Sofia Melin, do Instituto Karolinska, na Suécia, afirma que a endometriose pode se transformar em câncer devido a defeitos no sistema imunológico das mulheres. Outra hipótese considerada por Melin é:

“Talvez o tratamento da endometriose possa influenciar o desenvolvimento do câncer. Nós não sabemos ainda.” (“Maybe the treatment of endometriosis can influence cancer development. We do not know yet.”) (Veja
).

Essa é uma afirmação corajosa e incomum, partindo de uma médica. Será que o tipo de tratamento que estamos fazendo está fortalecendo ou debilitando nosso sistema imunológico? Se está fortalecendo, você deve estar se sentindo melhor, com o organismo mais forte. É preciso olhar para o corpo e reconhecer os sinais. É preciso procurar bons tratamentos, bons médicos e fazer os exames corretos. Tomar as decisões necessárias.

Apesar de muito triste, o relato dessa mulher anônima fala a todas nós. Serve de um alerta. Não deve nos levar ao desespero nem à tristeza. Como disse, o índice de mulheres com câncer desenvolvido a partir da endometriose é pequeno. Por isso, com a mudança de estilo de vida, com um tratamento eficaz, podemos superar essa doença, ter qualidade de vida, tornar nosso organismo ainda mais forte, de modo que além de controlar/superar a endometriose sejamos capazes de evitar outras doenças, por conta da atenção e cuidado que temos com nós mesmas. A endometriose pode ser também um caminho para nos fortalecer ainda mais. De fato, com as mudanças que fiz por causa da endometriose, estou muito melhor. Sentia dores fortes, não sinto mais. A endometriose é profunda, mas os focos diminuíram de tamanho. Há mais vida em mim do que antes. Paradoxalmente, endometriose pode também significar isso – buscar vida, em sua plenitude.
Veja como superei a endometriose:



Leia sobre a fonte da Paz


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domingo, 16 de outubro de 2011

Endometriose, obesidade e reposição hormonal




16 de outubro de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?

A combinação obesidade/endometriose pode levar a doenças mais sérias. Peso ideal não é sinônimo de saúde, mas estar acima do peso representa um risco aumentado para o desenvolvimento de várias doenças. Minha mãe e minhas irmãs sempre tiveram tendência para engordar. Eu nunca estive acima do peso normal, mas também não era muito magra. Devido à endometriose e doença co-relacionadas, emagreci bastante. Após mudar meu estilo de vida, recuperei os quilos perdidos e estou muito bem, nem magra nem gorda. Minha menstruação é normal. Sem dores, sem sangramentos intensos. Apesar da endometriose profunda (grau IV), meu organismo segue equilibrado. Mas nem sempre foi assim. Como já disse, devo isso a uma mudança completa em meu estilo de vida. No entanto, uma de minhas irmãs não tem a mesma história. Sem qualquer preocupação com comida saudável ou exercícios físicos, ela engordou até se tornar obesa. Antes de atingir uma obesidade preocupante, recorreu aos remédios de emagrecer por “orientação” médica. Começou um efeito sanfona incontrolável, com alterações emocionais. Após anos de dependência farmacológica, seu organismo ficou completamente desregulado. Resultado: ela deixou de ser uma bonita mulher gordinha e passou a enfrentar a obesidade quase mórbida. Se antes não havia força de vontade alguma para mudar o estilo de vida; com a obesidade, ela se entregou a soluções ainda mais radicais e agressivas. Decidiu pela cirurgia bariátrica. Lembro-me dela saindo do centro cirúrgico semiacordada. A cirurgia para redução de estômago correra bem, mas sua vida jamais seria a mesma.

Quando minha irmã fez a cirurgia, uma mulher morreu um mês após o mesmo procedimento cirúrgico. Recentemente, um tio de meu marido morreu no preparo para essa cirurgia, durante a anestesia. Mas minha irmã passou bem por todas essas fases. Emagreceu, sem ficar muito magra, como imaginava. Embora não tenha sido por laparoscopia, ela se recuperou relativamente rápido. Mas agora todo o organismo sofre com as consequências da cirurgia. Primeiro, teve de retirar a vesícula. Recentemente, descobriu que está com cistos e pedras nos dois rins, além de outras complicações. A cirurgia de redução de estômago aumenta significativamente a probabilidade de pedras nos rins. É como se minha irmã tivesse aberto a caixa de pandora com essa decisão. De modo muito rápido, o organismo está se debilitando. Um a um os órgãos vão apresentando falhas. Dependente de suplementos vitamínicos e comidinhas reguladas, incapaz de beber um copo cheio de água, ela também sente dores. Embora tenha acompanhamento médico constante e siga a risca as “orientações” artificiais dos médicos, agora ela vive para apagar incêndios no seu corpo. A decisão que parecia apontar o caminho mais fácil tem se mostrado, na realidade, um trajeto dolorido. Mas será que poderia ter sido diferente? É possível emagrecer sem remédios e sem cirurgia bariátrica?

Vocês já devem adivinhar minha resposta: sim. Eu acredito no poder da mudança do estilo de vida. Tenho como comprovar. No caso da endometriose, tenho como comprovar devido a minha própria experiência e a algumas histórias de vida que tenho encontrado e compartilhado aqui. No que se refere à obesidade, não enfrentei esse problema. Sinto na pele apenas o efeito negativo das decisões de alguém que amo. Mas conheço duas histórias bem-sucedidas relatadas por duas pessoas muito diferentes, mas igualmente admiráveis: Paulo Farber, médico com doutorado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e Karina, alguém que conta sua história em um blog pessoal. Tanto Farber quanto Karina relatam sua incrível experiência na internet. Para quem não precisa emagrecer, mas está enfrentando a endometriose, a história dessas duas pessoas também é uma fonte de conhecimento segura e funcional. Um oásis sobre recuperação e manutenção da saúde.

Farber conta sua história no Blog da Saúde
. Com base em pesquisas científicas, ele fala da importância da vitamina D (pessoas com baixo índice dessa vitamina têm mais dificuldades para emagrecer. Além disso, há mais dois textos super importantes no blog sobre essa vitamina), da ameaça do açúcar e dos carboidratos que desencadeiam a resistência à insulina e tem provocado uma epidemia de diabéticos, a importância dos exercícios físicos, o fator emocional, o uso de terapias alternativas. Em três meses, Farber emagreceu 25 kilos, sem perda muscular. “Hoje estou bem mais feliz, porque estou mais magro, e também porque me libertei da prisão que é a ‘refeição por prazer’. É uma liberdade que nunca soube que existia”, afirma (Veja). Além desse relato, o blog tem outros textos que apresentam uma medicina comprometida com a saúde, embora eu particularmente discorde de algumas posições centrais, incluindo o uso de carne e de homeopatia. Exemplos de ótimos textos: benefícios da fitoterapia, malefícios dos remédios (O texto “Um dia esse remédio faz bem, em outro esse mesmo remédio faz mal” aborda a questão da reposição hormonal), uso de corticoides, o perigo de medicamentos para o estômago, o funcionamento da medicina. Há um inconveniente no blog: ele está sem atualização desde março.

Karina emagreceu 13 kilos em seis meses. Enquanto Farber recorreu à medicina chinesa, Karina tem uma experiência com a dieta vegetariana e um componente a mais – sua fé pessoal no poder da oração (Veja
). No site em que narra sua história, há muitos textos sobre estilo de vida saudável, além de receitas deliciosas (Veja). Além de filosofia de vida, há orientações abrangentes e muitas dicas práticas. No texto em que Karina relata como emagreceu, os créditos são dados a Cristo. Segundo seu relato, foi por meio da oração que ela exerceu sua força de vontade – mediante sua fé surgiu “tanto o querer quanto o efetuar” (Filipenses 2:13). Concordo com Karina nesse aspecto: mudar o estilo de vida requer uma tremenda força de vontade. De onde vem essa força? Cada pessoa busca numa fonte. Nem todas as fontes são capazes de impulsionar e manter a mudança. Precisamos experimentar aquilo que promete nos fortalecer, ter uma experiência individual. Provar se funciona, sem preconceitos. Falar das melhoras, sem receios.

Por que essas experiências são importantes para quem tem endometriose? Mesmos estando com o peso ideal – e muitas mulheres com endometriose são magras – é preciso buscar a nutrição ideal. Pode-se estar magro ou acima do peso e, ao mesmo tempo, desnutrido e com toxinas no corpo. As experiências de Farber e Karina vão além do mero emagrecimento. São receitas de saúde completas. Mas quem está acima do peso e tem endometriose tem um motivo muito importante para emagrecer: a obesidade ou sobrepeso desencadeia e piora a doença. De acordo com pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC, há 80% a mais de chances da endometriose se transformar em câncer em mulheres obesas que usam o hormônio estrógeno para reposição hormonal (Veja
). A afirmação está baseada no estudo de médicos da Mayo Clinic, em Minnesota, Estados Unidos (Veja o abstract). De acordo com o artigo, a obesidade pode desencadear o hiperestrogenismo, que causa a endometriose. Além disso, a reposição hormonal com estrógenos após histerectomia pode levar a transformação da endometriose em câncer. Os pesquisadores afirmam:

Hyperestrogenism, either endogenous or exogenous, is a significant risk factor for the development of cancer from endometriosis. The prevalences of endometriosis, obesity, and use of hormonal replacement therapy in women in developed countries are increasing, and this trend justifies the assumption that cancer developing in endometriosis might become more common in the future. (Hiperestrogenismo, seja endógeno ou exógeno, é um fator de risco significativo para o desenvolvimento do câncer a partir da endometriose. A prevalência de endometriose, obesidade e uso de terapia de reposição hormonal em mulheres de países desenvolvidos está aumentando, e essa tendência justifica a suposição de que o câncer desenvolvido a partir da endometriose pode se tornar mais comum no futuro.)
Embora os médicos pouco falem disso nos consultórios, pesquisas acadêmicas sérias nos alertam para a necessidade de uma mudança de estilo de vida. Vimos que o Dr. Farber preferiu trocar “o prazer de comer” por uma comida saudável. Evidentemente, ele está falando sobre “o prazer de comer as coisas erradas”. Essa espécie de prazer não compensa. Cobra uma conta alta. Como já escrevi neste blog, encontrei o prazer de comer alimentos saudáveis e também deliciosos. Sem açúcar, mas saborosos. Sem gorduras prejudiciais, mas apetitosos. Mudar o estilo de vida requer força de vontade, mas compensa. Ganha-se uma vida com saúde, redimensiona-se o prazer.


PS.: 1. Recebi uma dica super importante de uma leitora deste blog. Ela sugere a leitura de livros de Dean Ornish. Vou procurar saber mais sobre os livros. Há um vídeo muito interessante com Ornish no TED, com legenda em português: http://www.ted.com/talks/lang/por_br/dean_ornish_on_the_world_s_killer_diet.html. Não deixem de assistir ao vídeo. Tem 3min.22 seg.

2. Escrevi sobre os riscos da reposição hormonal no texto "Endometriose, câncer e reposição hormonal".


Leia meu texto: Eu venci a endometriose

 (http://endometrioma.blogspot.com/2018/07/eu-venci-endometriose.html)


Conheça a história de Francielle e Samuel: Um bebê da esperança. 


                                          https://www.instagram.com/endometriose_tem_cura/

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A resposta simples para a endometriose

6 de outubro de 2011

Incrível, como atitudes e hábitos aparentemente simples podem significar a resposta para problemas espinhosos. Na Tailândia, o número de mulheres com câncer no colo do útero despencou devido a um exame alternativo, barato e muito eficaz, feito à base de vinagre. O papanicolau, que leva dias para ficar pronto e apresenta um custo muito elevado para mulheres pobres, é substituído pelo toque do vinagre em lesões suspeitas. Queima, mas se houver riscos para células cancerosas, a pele apresenta uma coloração branca. Com a detecção precoce de células doentes, enfermeiros treinados para essa tecnologia simples fazem um procedimento curativo bem-sucedido. Ao substituir exames laboratoriais pelo vinagre, mulheres tailandesas se veem livres de uma doença que mata.

A lista do simples, em geral, circula em espaços invisíveis. Não interessa que se torne pública. Tornar-se pública é mais do que ser conhecida ou estar na internet. É ser aceita, vista como crível, resposta eficaz, escolha inteligente e curativa, a melhor opção, embora não passe de uma atitude absolutamente simples. Não é uma resposta banal ou periférica, mas um tratamento central, poderoso e simples. Trocar exames dispendiosos por vinagre ou antibióticos agressivos por alho são dois exemplos. Substituir os caros stentes em pacientes cardiopatas por mudanças na dieta e no estilo de vida é outro exemplo poderoso. Laparoscopias seguidas, cirurgias no intestino, remédios e tratamentos caros também têm seu substituto simples. Mas respostas simples não surgem sem vontade acirrada. É preciso querer muito. Tem que acreditar, investir, entregar-se a experimentações e colher o fruto da ousadia. Tem que amar a vida e as pessoas para fazer o melhor por si mesmo e pelos outros. Num cenário de desamor, amar é verbo dissonante. Não combina com ganância nem com verdade. Parece inocente demais, simples ao extremo. Funciona mesmo?

Os métodos simples surgem com os valentes. O vinagre da Tailândia é resultado de uma pesquisa médica feita em Harvard e divulgada pelo jornal New York Times. O uso de alho no lugar de antibióticos é resultado de uma pesquisa feita na Universidade de Campinas (Unicamp), que inclusive ajuda a diminuir a inflamação da endometriose (Veja aqui
). A comida que reverte graves doenças do coração foi adotada com sucesso por celebridades norte-americanas. Houve quem sonhou em salvar, antes de lucrar. Quero acrescentar nessa lista uma história admirável: a do frei brasileiro que se dedica a curar pessoas com uma planta medicinal – aloe vera ou babosa. História incrível, com resultados reais. Experimentação que tem levado pesquisadores em todo mundo a dedicar horas em laboratórios para comprovar o que o corajoso frei Romano Zago atestou na vida. Encontrada na rua, misturada num composto sem grandes mistérios, a planta cura. Simples, assim.

Não são quaisquer pessoas falando quaisquer coisas. Afinal, se é verdade, por que não se divulga para todos os cantos em megafones ultrapotentes? Por que a solução não pode ser simples? Porque se for, muitos vão perder a galinha tecnológica dos ovos de ouro high tech. Contudo, ao menos por um curto espaço de tempo, a lista simples se lança ao cenário público, se torna conhecida, desfila credibilidade, mas não ultrapassa por completo o corredor polonês. A todo momento, está ameaçada de exclusão. Quantos têm acesso a essa informação? E quem tem acesso à notícia, saberá colocá-la em prática? Onde é possível encontrar alguém que acredite nesses ideais para conduzir a mudança? Se alguém ousar dar ouvidos à ideia simples terá forças para seguir adiante com ela, sem fraquejar? A massa de pessoas envoltas por publicidades embaladas a neon gritará em coro uníssono: não pode ser tão simples assim, isso é loucura. Agenciados para manter as pessoas no padrão da "normalidade" e do consumo, os próprios médicos – muitos, mas não todos – serão os primeiros a lançar ao abismo sua boa vontade em seguir na direção correta. Seremos vigiados, seremos punidos, diria Foucault.

Mas graças a Deus, há a internet, os livros, a informação, os corajosos, os sem medo, os tsiwari. Temos o New York Times, o google acadêmico, mulheres que se encontram na rede digital, nosso corpo. A vontade determinada em assumir o controle da própria vida. Para enfrentar a endometriose, superar laparoscopias e remédios, há respostas simples. Porém, exigentes. Não é fácil não. Continua, no entanto, sendo imensamente melhor do que não fazer nada ou fazer tudo que não funciona. Feito vinagre, a mudança queima, mas cura.

PS.: 1. Meu marido viajou para o norte do país, passando pelo Amazonas e Pará. Trouxe-me de presente um vírus resistente. Senti os primeiros sinais da gripe forte. Iniciei o tratamento. De manhã e no final do dia, em jejum, regado a dois copos de água, tomei um dente de alho moído, colocado na colher, e ingerido com bastante água. No meio do dia, 30 minutos antes do almoço, tomei o suco puro de um, dois ou três limões. À tarde, na última refeição, um suco, feito no liquidificador: duas poncãs ou laranjas, uma maçã e uma cebola. A gripe forte durou um dia, mas sem me vencer por completo. No dia seguinte, já estava bem. Nos demais dias, senti o vírus tentando avançar, especialmente quando acordava ou no final do dia, antes do remédio-alho. Mas em uma semana, nenhum sinal da gripe. Mais do que vencê-la, esse tratamento me trouxe muitos outros benefícios, enquanto se eu tivesse tomado antibióticos, arcaria com seus malefícios, como a destruição das bactérias do intestino, responsáveis pela imunidade. Meu tratamento teve um efeito colateral positivo: no final da semana, eu já não tinha inchaço abdominal. Esse é o sintoma mais persistente no meu corpo, devido à endometriose. Mas com o mix-tempero, fiquei leve, bem, saudável. Portanto, se você quiser avaliar a eficácia dessa receita antigripe e antiendometriose para sua saúde, não tenha medo. Alho, limão e cebola são remédios simples, mas extremamente eficazes. Entretanto, esses são remédios antissociais devido ao odor. Quando estiver de férias e puder ficar uma semana reclusa, tente este caminho. Não deixe de tomar o alho com bastante água. Espere no mínimo 30 minutos para comer. Coe bem o suco indicado. Além disso, evite, pelo menos, o açúcar. Feito vinagre; o alho, cebola e limão também incomodam, mas são potentes agentes naturais de cura.

2. Indico um site muito interessante de uma mulher da Nova Zelândia com endometriose que se chama Melissa:
http://www.cureendometriosis.com. Ela descobriu a endometriose com 19 anos. Grau 4, com dores horríveis. Sob a promessa médica de manter a endometriose e a dor sob controle, foi submetida a sete cirurgias, além de incontáveis medicamentos e drogas. Sem sucesso. Na verdade, ficou ainda pior, devido aos efeitos colaterais dos tratamentos. Após 15 anos de lutas, ela encontrou a resposta: mudança no estilo de vida. Alimentação natural. Exercícios físicos. Hoje, ela afirma que reduziu 90% da dor. E tem esperança de ficar livre da endometriose, que está sob controle. Eu também superei a endometriose. Não tenho dor alguma. E os focos reduziram muito de tamanho. Do ovário, reduziu pela metade. Meu tratamento: mudança de estilo de vida. Não li toda a proposta de Melissa ainda. Mas vi que ela não usa açúcar, carne, gorduras e glúten (um médico ginecologista, da Universidade de São Paulo pediu que eu fizesse um exame para saber se eu tinha alergia a glúten. Não tenho. De qualquer forma, reduzi muito o consumo de glúten, massas, mas não tirei da minha alimentação. Toda mulher com endometriose deveria fazer esse exame). Portanto, a receita de Melissa é diferente da minha em alguns pontos. Também não fiz as mudanças com base na medicina chinesa, como já disse. Reconhecendo que a espiritualidade é essencial para a cura, minha fé e minhas orações estão voltadas a Cristo, quem me dá forças para fazer as mudanças necessárias. Mas eu e Melissa temos algo muito importante em comum: mudança de estilo de vida. Tratamento natural. E resultados incríveis. Funciona, sim. É real. Em um dos post, Taking that first step to Healing Endometriosis through what you eat!, ela fala da importância da alimentação para superar a endo. Fala das dificuldades e das possibilidades da mudança. Embora no Brasil, essa abordagem seja pouquíssimo considerada pelos médicos, tem avançado em outros países. Tem avançado porque funciona, com a incrível vantagem de não estar patenteada nem depender de um conhecimento especializado caro e inacessível.

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais: Um caminho, entre tantos e








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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Só mudança no estilo de vida reverte a endometriose?



28 de setembro de 2011

No domingo, li uma entrevista muito interessante, publicada no jornal Folha de S. Paulo. Caldwell Esselstyn, médico cirurgião norte-americano, cardiologista, afirma que as doenças cardíacas podem ser prevenidas e tratadas “apenas” com a alimentação correta: vegetais, legumes, frutas e grãos integrais. Nada de açúcar, carne e gorduras. Todo alto investimento da medicina, tecnologias e cirurgias sofisticadas podem ser substituídos por algo bem simples: a comida certa. Para quem desconfia da segurança desse tratamento, um dos pacientes célebres desse médico é o ex-presidente Bill Clinton. Há apenas uma informação importante que a Folha não mencionou, mas que está no livro Prevent and Reverse Heart Disease: The Revolutionary, Scientifically Proven, Nutrition-Based Cure, de Esselstyn: ao tirar a carne da alimentação, busque formas de obter vitamina B12. Avalie também sempre os níveis de vitamina D. Esselstyn dá atenção especial a essas duas vitaminas.

Essa entrevista me leva a reafirmar: a endometriose pode ser prevenida e tratada apenas com a mudança no estilo de vida, que inclui alimentação. Não é preciso fazer cirurgias doloridas. Nem se submeter a métodos caros e, muitas vezes, ineficazes. Se a alimentação e o estilo de vida corretos podem curar um paciente com problemas cardíacos graves, podem nos conduzir a cura também. Eu, que descobri a endometriose grau IV, sou a prova disso. Não tenho mais dores. A endometriose diminuiu. Às vezes, a cirurgia é, realmente, necessária. Quando descobri a endometriose, tinha um endometrioma de 15 cm no ovário esquerdo. Foi necessário passar por aquela dolorida cirurgia. Mas agora, com acompanhamento médico, troquei procedimentos cirurgicos por “apenas” uma mudança no meu estilo de vida. Os benefícios têm sido recompensadores. É um caminho de novos sabores, de descobertas prazerosas. Não é uma ilusão. É real.


PS.: Nesta semana, além de reproduzir a entrevista a seguir, respondi a e-mails que recebi. Um deles é de Daniella. Com um relato entremeado de sensibilidade e resultados, ela conta que superou a dor por meio de mudanças no seu estilo de vida. Também recebi uma pergunta sobre endereços de lugares com comidas mais saudáveis. Respondi com algumas sugestões. Os comentários e as respostas foram publicados nos textos: Gramáticas da nossa vida, Um caminho, entre tantos e Maria Amélia, uma mulher inconformada.




Só dieta à base de vegetais reverte doenças cardíacas

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

Diga adeus a bifes, peixes, arroz branco e açúcar. Farinha e grãos, só integrais. Azeite de oliva, nem pensar. Para o cirurgião americano Caldwell Esselstyn, 77, uma alimentação baseada em folhas, frutas, legumes e grãos integrais é o único jeito de evitar, deter e reverter doenças cardiovasculares. Seu método, que vem sendo aperfeiçoado nos últimos 30 anos, é o tema do documentário "Forks over Knives" (trocadilho que quer dizer tanto "garfos sobre facas" quanto "garfos no lugar de bisturis"), lançado nos EUA e ainda inédito no Brasil. O filme conta a história de pacientes de Esselstyn, médico da Cleveland Clinic (Ohio). Eles venceram problemas cardíacos e evitaram cirurgias ao adotar a dieta. Para o cirurgião, que falou à Folha por telefone, a dieta extrema não é a que ele propõe, e sim a adotada pela maioria dos ocidentais. "Ela garante que milhões de pessoas serão submetidas a cirurgias de peito aberto. Vamos comer vegetais. É para isso que fomos criados."

Folha - O sr. diz que os problemas cardíacos se devem à alimentação. Não há outros fatores de risco envolvidos, como genética?
Caldwell Esselstyn - Se você come a dieta típica ocidental, cheia de carne, óleo e laticínios, você vai ver que, entre mil pessoas, algumas terão infarto aos 40, outras aos 50, outras aos 60, 70 ou 80. Você pode dizer que, geneticamente, quem tem o infarto só aos 80 é mais forte para resistir a essa dieta extrema. Por outro lado, se todo mundo comer uma dieta baseada em vegetais, todos são poupados.

Controlar os níveis de colesterol não é suficiente?
Ao pensar só em números, prestamos atenção à coisa errada. As pessoas tomam remédios para o colesterol mas ainda querem comer frango frito. O que funciona é o que entra pela sua boca.
Toda vez que você come azeite, óleo, leite, manteiga, queijo, sorvete, iogurte e carne, você machuca o delicado revestimento das artérias, o endotélio. Ele é um tapete mágico que produz uma molécula incrível chamada óxido nítrico, que é vasodilatadora e protege a parede dos vasos sanguíneos. Autópsias de soldados que morreram na Guerra da Coreia e no Vietnã, dos anos 50 a 70, revelaram que 80% dos jovens de 20 anos já tinham problemas coronários visíveis. As obstruções não eram suficientes para causar um infarto, mas estavam lá. Hoje, todos os jovens têm isso.

Sua dieta exclui o azeite de oliva, base da dieta mediterrânea. Ela está toda errada?
Está errada em recomendar azeite. Em Creta, há 60 anos, as pessoas eram magras, comiam muitos legumes e frutas e um pouco de azeite. As desvantagens do azeite eram compensadas pela quantidade de vegetais. Quando você estuda o efeito do azeite com um teste de ultrassom da artéria braquial (no braço), que mede os danos ao endotélio, vemos que o óleo machuca os vasos.

Você chama as cirurgias e angioplastias de soluções mecânicas para um problema biológico. Esses procedimentos não adiantam nada?
Eles não chegam a ser soluções. A medicina tem evoluído no sentido de criar uma lista cara de remédios e de procedimentos perigosos, como a colocação de stents ["molas" inseridas em vasos obstruídos] e pontes de safena. Com o tempo, é preciso colocar outro stent, fazer outra ponte, tomar mais remédios, e, no fim, a pessoa morre do coração assim mesmo.
Os médicos, não sei o porquê, passaram a acreditar que as pessoas não são capazes de mudar seu estilo de vida. Mas o problema é que eles não sabem como transmitir essa mensagem.
Quando trato alguém com doença cardíaca, fazemos um curso de cinco horas. O paciente vai entender o que causou a doença e o que ele deve fazer para revertê-la. No fim, oferecemos uma refeição à base de vegetais e uma apresentação de 1h15 sobre como comprar e preparar alimentos, ler rótulos e lidar com restaurantes e viagens. A revolução da saúde nunca vai acontecer por causa da descoberta de um remédio. Nunca vai ser por causa de um novo procedimento cirúrgico. A revolução vai acontecer quando as pessoas estiverem informadas do ponto de vista nutricional, para evitar as comidas que vão fazê-las perecer por uma doença.

Qual percentual dos seus pacientes tem melhora?
Quase todos. Quando começamos o programa, e as pessoas ainda não sabiam se ia funcionar, 70% se recuperavam. Agora estamos em 90%. O que torna esse tratamento tão poderoso é que posso mostrar raios-X de artérias do nosso primeiro grupo. Os pacientes percebem que, se os outros conseguiram, eles também vão.

O sr. diz que moderação mata. Por que não dá para comer carne com moderação?
Moderação é dizer: qual a quantidade de um alimento que sei que vai me prejudicar eu posso comer e conseguir escapar das doenças? Isso é loucura. Quantos bifes posso comer? Quantas batatas fritas engorduradas? Como assim? É a mensagem errada.

O sr. acredita que sua dieta pode ser adotada globalmente?
O Brasil está destruindo a atmosfera e o mundo ao queimar as florestas que são ótimas para capturar o CO2. Por quê? Para produzir carne, que vai fazer as pessoas morrerem cedo e ter vidas miseráveis e infelizes. Se toda essa área for substituída por vegetais, é possível produzir muito mais. Vamos comer plantas, é para isso que fomos criados.

Ex-presidente Bill Clinton segue o método

DA EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

O ex-presidente Bill Clinton, 65, é um dos adeptos da dieta radical do médico Caldwell Esselstyn.
Depois de ser submetido a quatro pontes de safena, Clinton adotou as folhas e os legumes como base de sua alimentação, como contou em entrevista à rede CNN. "Eu não queria que isso [as pontes de safena] acontecesse de novo. Eu gosto dos legumes que estou comendo agora".
No processo, o ex-presidente perdeu 11 kg. Essa entrevista e outros vídeos sobre a dieta estão no site do documentário "Forks over Knives": forksoverknives.com/media/videos.

Fonte: Folha de S. Paulo. Link para assinantes:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2509201101.htm

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais: Um caminho, entre tantos




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Quem é Cristo?



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Como superei a endometriose – Parte II






21 de setembro de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?

Obrigada mais uma vez pela partilha. Tenho seguido, sempre que possível muitos dos conselhos que tem sugerido, acredito contudo que, cada organismo é diferente e teremos de ser nós a encontrar o nosso equilíbrio. É preciso muita força de vontade para mudar e para que resulte tem de ser gradual porque, caso contrário é mais um motivo de stress :) É uma adaptação que acredito que demore meses, mas à medida que se introduz algo novo, um de cada vez, o sol, o exercício, um alimento novo, tudo se vai tornando mais fácil. Eu ainda estou numa fase inicial, não sei qual é o grau da endometriose e queria experimentar primeiro melhorar os resultados dos exames e evitar a laparoscopia. Apesar de ter já lido que a soja poderia ser prejudicial a quem tem endometriose, não liguei muito confesso, e continua a fazer parte da minha alimentação. Poderia dizer-me então o que sabe sobre a soja? A alimentação é o mais difícil, parece que tudo nos faz mal :) O que faço é evitar comer os mesmos alimentos muitas vezes seguidas, vario o mais possível e não eliminei nada, mesmo nos doces, tenho é o cuidado de comprar bolachas ou doces todos com baixo teor em açucares. E bebo muito chã. Quanto à fitoterapia também fiquei curiosa :) Fico muito feliz por saber que os seus resultados são cada vez melhores, espero um dia poder partilhar o mesmo.
Por Ângela em Um caminho, entre tantos em 14/09/11

Olá! Descobri seu blog há alguns meses e, apesar de trilhar esse mesmo caminho há 4 anos, tenho aprendido muito com sua experiência. Além disso, é com muita satisfação que aguardo seus novos posts. Sempre tem algo novo ou então, recheado de afeto, que me faz tão bem! Mas confesso, gostaria um pouco da sua força e então conseguir abdicar e mudar um pouquinho mais do meu estilo de vida. Já mudei muito! Deixei um dos meus trabalhos (trabalhava 12 horas diárias), melhorei minha alimentação, lazer, relação familiar, iniciei análise, no entanto, sei que há muito ainda a mudar. Exercícios e Alimentação é um item muito difícil pra mim. Amo doces! E, exercício, embora goste e me sinta muito bem quando realizo, não consigo incluir como rotina diária, e longe de chegar nas 3 vezes semanais. Invejo (no bom sentido) que você tenha conseguido mudar e gostaria muito que, se pudesse, dividisse seus sentimentos em relação a isso, já que pra mim está sendo tão difícil conseguir realmente abrir mão Veja mais... do tempo que desprendo pro exercício e do prazer que o doce traz... Bem, divido isso com você talvez como um eco, para que saiba que suas palavras são “ouvidas” com muito carinho e dão força para pelo menos tentar... Um grande abraço e até seu novo post... Boa sorte para nós e boa noite!Por Anônimo em Um caminho, entre tantos em 12/09/11

Primeiro, quero agradecê-las muito por escrever e compartilhar comigo a experiência de vocês. Isso significa muito pra mim. Mais forças, mais informação, mais reflexões sobre experiências de superação. Como você disse, Ângela, não há uma receita de saúde geral que seja inteiramente adequada para todas as mulheres. Há caminhos. Seu comentário destaca a importância de olhar para nós mesmas e perceber como o organismo reage a determinados alimentos, principalmente. Por exemplo, um dos médicos que me orientou quanto à alimentação (com dicas preciosas), sugeriu que eu usasse cacau ou chocolate amargo. Como já havia tirado o chocolate, repensei o assunto e comecei a usar cacau em pó, sem açúcar. No início não me adaptei muito ao sabor. Mas como se tratava de uma recomendação médica, insisti. Em pouco tempo, estava “viciada” no cacau com frutas. Sentia vontade de comer durante o dia, além de usá-lo na primeira refeição. Resultado: aumentei bastante o consumo. Ao mesmo tempo, comecei a sentir um pouco de dor. Nada comparável em intensidade à dor insuportável da endometriose que eu já tinha sentido. Mas era a mesma dor, embora bem menos intensa. Comentei com meu marido e achamos que pudesse ser o cacau que eu já estava consumindo em excesso. Parei de usá-lo. A dor sumiu. Pode até ser que se eu usasse em menor quantidade, o cacau não atuaria como um desencadeador de inflamação (com o aumento da inflamação, a dor surge). Mas no meu caso, achei melhor tirar de vez.

Como você disse, é muito importante variar o máximo o cardápio. A orientação médica que recebi é que cada refeição deve ter pouca variedade de alimentos, porque resultará em uma melhor digestão. No entanto, diariamente devem ser utilizados novos alimentos, outras frutas, legumes e grãos, com o aumento de variedade no decorrer dos dias, para que o organismo seja suprido com os nutrientes necessários. Tendo a variedade como um princípio, estou me alimentando muito melhor. Incluindo muitos sabores, descobrindo receitas, redescobrindo o prazer de comer. Ao restringir o açúcar e gorduras, ampliei o leque de escolhas, de experimentações saudáveis, com o consumo de variedade de frutas, legumes e grãos. Esses dias, encontrei um excelente
blog em inglês de uma mulher que tem endometriose e fez mudanças na alimentação (http://hoghugs.com). É muito interessante, pois ela já obteve resultados positivos. A endometriose também diminuiu. No post Surgery for Endometriosis Actually Makes Your Case Worse, ela fala sobre a substituição das cirurgias por uma mudança na alimentação. Desde que mudei meu estilo de vida, não precisei de nenhuma cirurgia também. Quanto ao blog, há dicas importantíssimas, embora eu pessoalmente não tenha feito as mudanças exatamente iguais as apontadas ali. Por exemplo, não uso soja, pois tem efeito estrogênico (Ângela, vou reunir o material que tenho e quero escrever um post sobre esse assunto).

A indústria alimentícia nos condiciona a uma receita única, baseada no doce e na gordura. Com essa receita única, empobrecida, são desenvolvidos uma infinidade de produtos com rótulos multicor. Embora a embalagem seja atraente, a receita é quase sempre a mesma: açúcar ou sódio em excesso, gorduras e componentes químicos com sabores artificiais. Nos supermercados, há aparentemente uma variedade imensa de alimentos. Mas é apenas uma receita repetitiva embalada de maneira atrativa e diferenciada. Consequentemente, ao rejeitarmos a “receita única”, acabamos rejeitando quase tudo que está disponível. A indústria investe na diversificação da publicidade, com novas cores e formas, de alimentos que atraem pelo olhar e aprisionam o paladar aos aditivos químicos. É muito do mesmo. A inflexibilidade do caminho único. Uma mistura intensa de imagens diversificadas para vender a mesma essência – a essência viciante que agrada o paladar e destrói a saúde. Não fomos nós que radicalizamos. É a indústria que radicalizou, que escolheu investir toda a sua criatividade nas embalagens que oferecem alimentos que não alimentam – pseudoalimentos. Calorias vazias que levam as pessoas a comer muito, mas a se nutrir pouco. Resultado: uma multidão de desnutridos com a ilusão de que tem uma variedade imensa de alimentos à disposição. A indústria farmacêutica agradece. Quando penso nisso, lembro-me da gramática da vida – a resposta antigramatical de Fernando Pessoa ao mundo:

A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém, o homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver às escuras. Se quiser dizer que existo, direi “Sou”. Se quiser dizer que existo como alma separada, direi “Sou eu”. Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei de empregar o verbo “ser” senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente supremo, direi “Sou-me”. Livro do Desassossego (p.114).

Quando mudei a alimentação, o que perdi? Uma receita única, apenas. Mas coincidentemente, era quase o supermercado inteiro. O que restou? A mais incrível variedade de alimentos, de sabores, de experimentações com a multiplicação das essências – as essências que agradam o paladar e nos tornam fortes. Tenho buscado trocar a receita única pelo universo gastronômico das experimentações que renovam o corpo, que comunicam saúde. Com a descoberta de novos sabores, surgem novos caminhos. Volto a ter o poder de escolha. A vida cotidiana se torna uma vida de pesquisa avançada. Onde encontrar os melhores alimentos e os sabores que nutrem? Não abro mão do sabor. Procuro estratégias de sobrevivência: 1. O setor de hortfruti do supermercado (Mesmo que não seja orgânico, é sempre melhor comer frutas e legumes com agrotóxicos, do que não comê-los); 2. Seleção de produtos industrializados mais saudáveis; 3. A ida à feira; 4. Lojas e restaurantes orgânicos e vegetarianos; 5. Pequenas empresas que vendem alimentos caseiros e integrais (Essa parte tem sido ótima. Eu e meu marido fazemos viagens gastronômicas. Já fomos a uma confeitaria com comida orgânica que fica numa fazenda incrível! São momentos de muita afetividade também, onde encontramos pessoas que compartilham do mesmo ideal); 6. Busca de novas receitas. Estou aprendendo a cozinhar; 7. Almoço e lanches com amigos que também estão em busca de um novo cardápio... Aliás, eu recebi um e-mail nesta semana me falando de um site que está disponibilizando gratuitamente e-book com receitas saudáveis. Não fiz o meu pedido, mas parece bem interessante. Veja aqui
. 8. Informação e orientação. É preciso tomar cuidado ao fazer a mudança. O ideal é procurar orientação médica com consultas e leituras. Não adianta, por exemplo, se tornar um "vegetariano" que come massa, doces e queijos. Melhor seria se comesse carne vermelha, arroz e feijão. Além disso, nem sempre é possível comer a refeição mais saudável. Então, é melhor comer o que há de mais nutritivo dentro do que é possível.

Ângela, estou fazendo um tratamento fitoterápico com acompanhamento médico. Vamos avaliar se os resultados vão se manter e se há efeitos tóxicos. Farei exames para avaliar possíveis efeitos colaterais. Também acredito que uma planta não é a resposta mágica para endometriose. Os resultados positivos fazem parte de toda uma mudança de vida. Provavelmente, se eu não tivesse feito essas mudanças, a abordagem fitoterápica não teria efeitos positivos importantes. Quando eu tiver a certeza, a partir de exames médicos, de que esse tratamento fitoterápico tem dado resultados sem efeitos colaterais, vou compartilhar minha experiência.

Como vocês disseram, é preciso mesmo exercer a força de vontade. Mas não dá para encontrar essa força numa lista com regras, numa autoexigência pesada de mudança pessoal, com um esquema de cobrança e estresse. Isso não faz bem. É algo diferente que tem acontecido comigo. É algo muito bom. Que me traz tanta alegria, tantos novos sabores e interações. Sei que a palavra amplia a vida, mas pode restringi-la também. Ao eu falar de listas, pode parecer que se trata de uma restrição. Mas o que vivo é uma ampliação saborosa, com resultados emocionantes. É mais do que a ausência da dor, com um regime austero. É a substituição gradativa (como você destacou Ângela) de uma vida antes condicionada pelo doce artificial. Li um livro que me ajudou muito, “Conselhos sobre Regime Alimentar”, de Ellen G. White. Além de dicas práticas sobre estilo de vida, o livro parte de duas premissas centrais: 1. A nossa saúde significa a saúde das pessoas que amamos; 2. Porque somos amados, cuidamos de nossa saúde. Esses dias, minha sogra ligou pra mim e me disse palavras muito carinhosas. Falou que tem aprendido muito. Só para ilustrar com uma experiência simples: quando há uma ameaça de gripe, fazemos uso de um
mix natural para fortalecer o imunológico: limão, alho, gengibre... Funciona rápido e beneficia todo o organismo. Minha sogra está ajudando financeiramente uma família com duas crianças pequenas. Eles estavam gripados e ela os ensinou a usar o “mix”. Se recuperaram rapidamente. Quando encontramos a resposta para o nosso organismo, encontramos também a resposta para quem amamos. É uma multiplicação. Isso é motivador. Mas tem a ver não apenas com alimentação, mas com estilo de vida. Diminuir o trabalho, refletir sobre nossa vida, fazer exercícios como foi muito bem colocado no segundo comentário. Quando leio sobre uma experiência assim, fico mais motivada. Você fez grandes mudanças!!! Obrigada por compartilhar a experiência!

“A vitalidade recupera e anima”, escreveu Fernando Pessoa no Livro do Desassossego (p.270). A mudança é um desassossego, atitude antigramatical que exige luta e insistência, mas que nos recupera, nos abre o olhar para novas sensações, nos reanima e tem o poder de fazer o mesmo pelos outros. Como Fernando Pessoa disse, desafiadoramente, “sou-me” – mas a partir de quem e para que propósito? Mudar é reler a vida e escrever algo tão diferente daquilo que o mundo oferece. Tudo isso tem a ver com a razão de nossa existência. Juntas, estamos a reescrever uma nova gramática sobre a superação da endometriose.

Saiba mais sobre: A Fonte da Vitalidade



Leia meu texto: Eu venci a endometriose

 (http://endometrioma.blogspot.com/2018/07/eu-venci-endometriose.html)


Conheça a história de Francielle e Samuel: Um bebê da esperança. 


                                          https://www.instagram.com/endometriose_tem_cura/