Decidi: quero ter um filho. Mas eu não podia ter um filho.
Então, recomendaram que eu fizesse FIV (Fertilização in Vitro). Inclusive, à
época, uma grande empresa de FVI entrou em contato comigo para que eu
divulgasse, como colunista, o método artificial para se ter um filho. Eu
gastaria, eu ganharia e, talvez, teria um filho. Eu decidi: não quero ter um
filho. Ao menos, não desse jeito.
O valor de uma mulher não está em ser mãe. Eu aprenderia a
ser feliz sem um filho, pois o que eu tinha era apenas uma ideia de felicidade associada
à chegada de uma criança. E não é assim. Os maiores e mais difíceis desafios
emocionais eu enfrentei após a gravidez. Quando um bebê chega muita coisa se
desmonta. Em vez de melhor, a gente pode se tornar pior: mais nervosa, mais
ansiosa, mais cansada, sem tempo, com sonhos profissionais adiados ou
interrompidos para sempre. É preciso muita força para que a maternidade torne a
mulher realmente uma pessoa melhor. As frustrações da mãe podem por tudo a
perder. Mais uma vez, só a oração e a comunhão com Cristo podem redimensionar
essa mulher, fazendo-a ser mãe no mais pleno sentido da palavra – entrega
total.
Então, não ser mãe dá à mulher a oportunidade de viver
muitos outros projetos e, se ela tem um propósito de abençoar o mundo, pode
realizar coisas realmente incríveis e gratificantes de modo que não poderia se
fosse mãe. Ellen White, escritora norte-americana e uma das fundadoras da
Igreja Adventista do Sétimo Dia, diz exatamente isso. Às vezes, é melhor não
ser mãe, dependendo da vocação que se tem no mundo. Assim, decidi não ser mãe
se não pudesse engravidar naturalmente. Poderia recorrer à adoção, conforme
também orienta Ellen White, ou me empenhar em alguma outra missão, outra
sugestão de Ellen. “Uma família bem ordenada, bem disciplinada, terá poderosa
influência para o bem. Mas se não tendes vossos próprios filhos, pode ser que o
Senhor tenha um sábio propósito em privar-vos desta bênção. Não seja isto
tomado como evidência de que deveis adotar uma criança. Em alguns casos pode
ser aconselhável”, diz Ellen White. Ter filhos é uma alegria. Mas você não é obrigada
a ser mãe. Você não é obrigada a adotar uma criança. Para ser feliz e fazer
alguém feliz, você não precisa gerar um filho.
Eu assumi o risco. Pesquisei sobre a FIV e outros métodos e
decidi não expor o meu corpo aos hormônios sintéticos (Veja aqui o texto que eu
escrevi sobre a FIV: O Livro da Vida).
Aceitar a realidade de que, provavelmente, eu não teria um
filho não foi fácil, inicialmente. Provocações, semelhantes a enfrentadas por
Ana, da Bíblia, devido a sua infertilidade, eram recorrentes. Nasceu um bebê na
família e alguém que sabia que eu era infértil disse, com maldade: “Viu, vale a
pena!” Também contaram para pessoas conhecidas e desconhecidas que eu não podia
ter um filho e, vez por outra, me deparava com alguém me dando uma sugestão...
Vi o vídeo de uma amiga tendo seu filho. As dores são muitas. Mas a despeito de
todas elas, eu decidi não fazer FIV e esperar a vontade de Deus, a despeito do
resultado. Um filho, um marido, um emprego podem ajudar, mas só Deus consola.
Se eu não for feliz com o que tenho jamais serei feliz com qualquer outra
conquista. A felicidade é Cristo, pois no mundo sempre teremos aflições.
“Infertilidade. Provavelmente cada uma de nós já pensou
sobre isso ou foi atingida por sua dor. Talvez tenhamos alguma amiga querida
que não possa ter filhos... ou talvez você mesma esteja tentando engravidar e
ter um bebê. O tempo passa e isso não acontece. O que uma mulher deve fazer com
o profundo desejo de conceber um filho na encruzilhada do desapontamento? [...]
Deus não mudou. O seu espírito pode nos dar a mesma esperança que sustentou
Isabel. Deus cumprirá os Seus propósitos. Nosso trabalho é crer e obedecer
enquanto aguardamos com fidelidade”, afirma a conselheira cristã Bobbie
Wolgemuth.
Ao mudar meu estilo de vida, readquirindo hábitos saudáveis
ligados à alimentação vegetariana, exercícios físicos, fitoterapia, natureza e
amor a Deus, a endometriose regrediu, a dor aos poucos desapareceu. Fiquei tão
saudável, que engravidei naturalmente. A gravidez foi muito tranquila e meu
filho nasceu com saúde de ferro. Tem quase sete anos e nunca precisou tomar um
antibiótico ou antitérmico.
Mas o que pode acontecer quando a gente recorre a drogas
farmacêuticas para engravidar? Além de todos os efeitos colaterais que as bulas
dos remédios nos informam, o organismo humano fica sujeito a alterações em sua
própria estrutura, seu código genético, seus cromossomos. E isso é muito sério.
Ano a ano, vem aumentando a quantidade de crianças e adultos com doenças raras.
Ao explicar as causas das aberrações cromossômicas, o meu livro didático do
ensino médio do Anglo, de 1994, já dizia:
“Estamos expostos a inúmeras substâncias químicas que estão
no ar, na água, nos alimentos e medicamentos. Disso tudo, o que pode realmente
‘mexer’ com nosso material genético? A verdade é que estamos sujeitos a
surpresas desagradáveis; a maioria desses fatores, no que diz respeito à sua
atuação sobre os genes, não foi ainda suficientemente estuda. Um exemplo
simples: a industrialização cada vez maior dos alimentos fez com que usasse
inúmeras substâncias químicas, como conservantes, corantes, antioxidantes
etc... A indústria farmacêutica também utiliza grande variedade de substâncias
na composição de medicamentos” (SASSON, S. Genética.
São Paulo: Anglo, 1990-1991. p. 56).
Conheci a história de uma mulher com endometriose que não
engravidava. Fez a cirurgia, usou remédios e por vários meses tomou um indutor
de ovulação. O marido descobriu uma doença no testículo. Fez a cirurgia, usou
remédios. Então, conseguiram a gravidez. O filho nasceu com uma síndrome rara.
Ao falar sobre saúde na gestação, a médica Mírian Silveira
diz neste vídeo (Veja aqui) que o
uso de drogas farmacêuticas está associado com os erros inatos do metabolismo
ou com as chamadas doenças raras, que hoje já atingem 15 milhões de brasileiros
(Se você quer ter um filho, não deixe de assistir a esse vídeo).
Enfim, tomei a decisão de seguir o caminho de mudança de
meus hábitos de saúde. As drogas não deveriam resolver aquilo que nós mesmos,
com a força de Deus, somos capazes de mudar naturalmente. A pílula mágica tem
efeitos inesperados. A mudança de estilo de vida exige muito da gente, muita
renúncia, transformação do paladar, reeducação, mas, no final, é um trajeto
leve, transformador, suave, consistentemente belo.
Um dia, uma mãe que queria ficar grávida de seu segundo
filho, mas a endometriose não permitia, me escreveu, perguntando minha opinião
sobre a FIV. Foi essa mulher que me ajudou a pesquisar mais sobre o assunto.
Nossos diálogos, por e-mail, foram importantes para mim. Até hoje, não a
conheço pessoalmente. O mais importante é que Deus agiu na vida dessa mulher
que não decidiu fazer a FIV. Primeiro, ela tomou a decisão, melhorou seu estilo
de vida e os resultados vieram: ela engravidou de seu segundo filho, o amigo
que o primeiro filho tanto precisava. Uma história linda. O milagre de Deus.
Mas se ela não tivesse engravidado? E se eu não tivesse
engravidado? E se você não fizer a FIV e não engravidar de outra maneira? Pode
acontecer. Eu decidi não ter um filho, mas estar bem de saúde. Ser mulher é
muito mais do que ter um filho. Isso não quer dizer que, ao ter um filho, eu
deixarei de reconhecer as bênçãos de ser mãe que decorrem de Deus. É preciso
louvá-Lo, pois Deus é quem dá a vida. É preciso dizer: se você quer ser mãe de
verdade, lute por esse sonho. Mude seus hábitos, pesquise alimentos e atitudes
que aumentam a fertilidade, ore a Deus, assim como fez Ana, mãe de Samuel, ou
Isabel, mãe de João, mulheres da Bíblia. Clame. Não tenha medo de pedir, mesmo
que no final a resposta seja diferente da esperada. Deus sempre sabe o que é
melhor. Vivemos tempos muito difíceis para as grávidas, para as crianças e seus
pais.
Ao tomarmos as decisões, depois de bem informadas, precisamos
estar conscientes do preço que pagaremos. O preço de não fazer a FIV pode ser
nunca ter um filho. O preço gigantesco de fazer a FIV pode impactar as finanças
e o corpo de maneiras inesperadas.
O preço de ter um filho também é alto. Eu decidi ter um
filho naturalmente. Mudar minha vida, meus hábitos, respeitar as leis da saúde
colocadas por Deus me deram meu filho. Depois desse milagre, eu me entreguei à
missão que recebi. Tornei-me mãe em tempo integral. A renúncia é grande, mas as
recompensas são infinitas. A maternidade é uma escada íngreme. Para ele
aprender a se alimentar de comida vegetariana, eu gastei e gasto meu tempo
selecionando alimentos, cozinhando, dando o exemplo, ensinando a comer,
milhares e milhares de vezes com muita paciência, com a mesma paciência que
tive de ter comigo mesma ao deixar o açúcar e os lanches gordurosos e me voltar
à comida de verdade. Para ele aprender a dormir, eu também durmo e acordo super
cedo. Para ele aprender a se exercitar, eu faço exercícios com ele. Para ele
aprender a amar a Deus, eu conto três vezes ao dia histórias da Bíblia e oramos
juntos. Também aprendi a tocar hinos no teclado e cantar com ele, louvando a
Deus.
O preço de ter um filho é alto. Basta pensar que Deus nos
criou para sermos felizes, mas o ser humano pecou. Nos tornamos filhos
desobedientes. O salário do pecado é a morte, diz a Bíblia. Deus não pode
apagar sua própria Lei. Então, enviou Jesus para nos salvar. Mas ao chegar
aqui, recebemos o Criador com desprezo e ódio. Jesus foi morto pelos seus
próprios filhos. Para nos dar a paz e a vida eterna, Ele deu sua própria vida.
Leia a mais bela e triste descrição sobre esse ato de amor em Isaías 53.
“Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço
do Senhor? [...] Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de
dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o
rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si
as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos
por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas Ele foi traspassado pelas nossas
transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz
estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Leia o restante de
Isaías 53 aqui).
A maternidade é entrega da vida, assim como fez Cristo.
Se a vida é dedicada à missão de salvar, vive-se a maternidade, com ou sem
filhos.
Ore, apenas. Ao dar o passo seguinte, desenvolva estratégias
de saúde. Prossiga rumo ao ideal de um novo estilo de vida saudável. Espere.
Deus sempre sabe o que é melhor. Ele escreve com amor a
história de cada mulher. Não há desfechos únicos. Maternidade é amplidão.
Leia meu texto: Eu venci a endometriose
(http://endometrioma.blogspot.com/2018/07/eu-venci-endometriose.html)
Conheça a história de Francielle e Samuel: Um bebê da esperança.